
diretoria e conselho amadores afundam cada vez mais o clube atletico mineiro
Lucas Barbosa Amorim
Um grupo de conselheiros e ex-dirigentes do Atlético vai buscar, em São Paulo, uma solução emergencial para a grave crise financeira que o clube atravessa. Com a renúncia do presidente Ziza Valadares, na última quinta-feira, foi revelada a real situação atleticana e os números mostram que o Galo tem as receitas do ano que vem praticamente comprometidas.
Da reunião de dirigentes e conselheiros na última sexta-feira à tarde, na Cidade do Galo, surgiu a possibilidade de recorrer a uma instituição paulista em busca de crédito para o Atlético. Neste momento, não há a mínima possibilidade de se tocar a vida do clube sem um aporte financeiro, porque os salários estão atrasados e vários compromissos vencem nos próximos dias.
Os documentos repassados ao presidente do Conselho Deliberativo, João Batista Ardizoni Reis, aos ex-vices, Roberto Vasconcelos, Gil César Moreira de Abreu e Ronaldo Vasconcellos, e outros conselheiros que estiveram presentes na Cidade do Galo, mostram que Ziza Valadares deixou o clube com os cofres vazios e com poucas perspectivas de receitas.
Nos vários empréstimos feitos por Ziza Valadares à frente do Atlético, o ex-presidente Ricardo Guimarães aparece como avalista em dois; nos outros, são comprometidas receitas do clube, como direitos de televisionamento, pagamentos da empresa que negocia o material esportivo e até mesmo a participação no Diamond Mall.
A inclusão das receitas que o clube recebe do shopping, como garantia de empréstimos bancários, será inclusive investigada por uma comissão do Conselho Deliberativo. Alguns conselheiros consideram a negociação ilegal, porque não poderia ser feita por Ziza Valadares sem a aprovação do Conselho.
As receitas do Diamond Mall foram dadas como garantias em dois empréstimos, de R$ 5 milhões e R$ 1,7 milhão, respectivamente, feitos por Ziza este ano, junto ao BIC Banco. O que impressiona é que foram comprometidos os valores que o Atlético receberia até dezembro do ano que vem, quando terminaria o mandato do ex-presidente _ se ele não tivesse renunciado.
O dinheiro que o Atlético tem a receber das cotas de televisão está comprometido até junho do ano que vem.
O caso da Filon, empresa que negocia o fornecimento de material esportivo para o clube, é ainda mais grave. Ziza comprometeu o valor que recebe mensalmente da empresa até fevereiro de 2010, dois meses após o encerramento do seu mandato. Nos 12 empréstimos que foram relacionados pela diretoria financeira do Atlético, o clube buscou no mercado financeiro, quase sempre no BIC Banco, instituição fundada no Nordeste e que hoje tem sua sede em São Paulo, mais de R$ 25 milhões. Isso equivale praticamente à folha de pagamento do período.
Outro fato que impressiona no orçamento atleticano para 2008 (divulgado em 12 de novembro do ano passado pelo então presidente Ziza Valadares e seu vice financeiro, Renato Salvador): o valor do pagamento de dívidas é praticamente idêntico ao da folha do clube.
Pelo orçamento anual de 2008, o Atlético terá no ano, somados salários, encargos sociais, bichos e prêmios, uma despesa de R$ 27,3 milhões. A amortização de empréstimos (R$ 15,95 milhões) e acordos trabalhistas (R$ 10,1 milhões) somam R$ 26,1 milhões.
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Um grande baque no orçamento atleticano deste ano foi a baixa receita com a negociação de jogadores. Ziza, talvez impressionado pelo bom final do Brasileiro do time no ano passado, sob o comando de Emerson Leão, projetou que o clube arrecadaria na temporada R$ 33 milhões com a venda de direitos econômicos e atletas. A realidade não representa nem 30% desse valor.
O momento político do Atlético pode reviver uma disputa que agitou o clube no final da década de 1970. Na eleição de 1979, Walmir Pereira, que tinha assumido o cargo em 1976, concorria à reeleição, mas teve como candidato de oposição Elias Kalil, que era seu vice-presidente. Um desentendimento fez os dois aliados se separarem e disputarem a presidência do Atlético. Elias Kalil, até para surpresa de muita gente, venceu o processo, iniciando sua trajetória como presidente, mandato que se encerrou apenas em dezembro de 1985. Neste momento conturbado da política atleticana, os filhos dos dois dirigentes aparecem como os principais candidatos à presidência do clube.
Alexandre Kalil lançou seu nome, mas garante que só aceita ser candidato único. Sérgio Bias Fortes, filho de Walmir Pereira, carrega a preferência de um grupo de conselheiros. «Ainda não tem nada definido. Tudo tem que ser muito bem conversado. Neste momento não sou candidato, mas vamos ter uma reunião hoje (ontem) para falar sobre o futuro do Atlético», revela Bias Fortes.